

Jeanne Marie Gagnebin em seu texto Memória, História, Testemunho dá uma boa definição do narrador sucateiro de Benjamin: “Esse narrador sucateiro (o historiador também é um Lumpensammler) não tem por alvo recolher os grandes feitos. Deve muito mais apanhar tudo aquilo que é deixado de lado como algo que não tem significação, algo que parece não ter nem importância nem sentido, algo com que a história oficial não sabe o que fazer. O que são esses elementos de sobra do discurso histórico? A resposta diz Benjamin é dupla. Em primeiro lugar, o sofrimento, o sofrimento indizível que a Segunda Guerra Mundial levaria ao auge, na crueldade dos campos de concentração( que Benjamin, aliás, não conheceu graças a seu suicídio em 1940 quando foi capturado por tropas nazistas, enquanto fugia para os EUA juntamente com sua amiga Hannah Arendt. Arendt conseguiu embarcar, porém Benjamin preferiu se matar do que se render às forças nazistas. É bom lembrar que além de um haxixeiro de mão cheia Benjamin era judeu e de esquerda.). Em segundo lugar, aquilo que não tem nome, aqueles que não têm nome, o anônimo, aquilo que não deixa nenhum rastro, aquilo que foi tão bem apagado que mesmo a memória de sua existência não subsiste- aqueles que desapareceram tão por completo que ninguém lembra de seus nomes. Ou ainda: o narrador e o historiador deveriam transmitir o que a tradição, oficial ou dominante, justamente não recorda. Essa tarefa paradoxal consiste,então, na transmissão do inenarrável, numa fidelidade ao passado e aos mortos, mesmo- principalmente- quando não conhecemos nem seu nome nem seu sentido”. (GAGNEBIN, p.54)
Mas então? O que diabos (bacon) Walter Benjamin tem a ver com o MQN?
A resposta é simples queridos seguidores do beerblog!
Não estamos tratando do MQN, e sim do Melhor Que Nada, nome com o qual tal banda foi conhecida por aqui no final dos anos 90. Bad Ass Rock N´Roll? Fuck The CD? Nada disso! O MQN daquela época era bem bonzinho por sinal. Nada de guitarras pesadas, vocais semi gritados e energia no palco. E sim melodias sugadas dos Beatles e cinco canções desconexas, porém bem gravadas no que constituiu o segundo CD prensado da história do rock goiano ( Nota do brógui: O primeiro foi o Step Ahead do CFC). Um CD prensado com cinco músicas? Mas não era mais prático lançar uma demo, já que se tratava do primeiro lançamento da banda? Ainda mais numa época onde 11 entre cada 10 bandas goianas lutavam pra gravar uma fitinha demo tosca? Ainda mais quando era caaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaro pra caralho mandar fazer um CD?
Marinherismos de primeira viagem à parte o grande lance é que, pasmem, esse CD foi totalmente gravado no esquema Do It Yourself ( ou seria papai pagou?). Naquela época o gordinho mais legal do rock brasileiro ainda não tinha poder nenhum, a Monstro era só do Marcio e do Bigode que nem conheciam tal banda, muito menos a Lei de Incentivo à Cultura; a Monstro era só um selo tosco como nós, que lançava bonitos compactos coloridos e fazia o Goiânia Noise no DCE-UFG. O MQN costumava fazer seus shows em colégios secundaristas burgueses e em festas de 15 anos e o som além de remeter a Beatles também remetia a tudo que o Fábio Massari passava no saudoso Lado B da MTV: Oasis, Blur,Stereolab,Man or Astroman?,Spiritualized, Pavement, Jon Spencer Blues Explosion.... e a banda ia na onda da MTV. Acho que não mudou muita coisa de lá pra cá, até porque hoje o que se toca por lá é Stoner Rock! E nisso o MQN é pioneiro no Brasil.
Bom, quanto ao Benjamin. O fato é que Television in Full Color foi renegado pela banda (vai la no site deles e vê se esse CD aqui existe!) e pela cena Rooooooooooack de Goiânia, e por tanto tempo esquecido, apagado da história oficial, e nós, como bons sucateiros, sobrevivemos para narrar a história e recolher este pedaço de lixo há tanto escondido e esquecido no limbo da tal Goiânia Roça City. Nois é Jeca mais é hype!
Só nos resta saber qual dos bebês rechonchudos que aparecem na capa de trás do disco é o senhor Nobre. Acho que todos heheheeheheheh
Voi-lá!
2- Spaceboat to Venus
Eu entendo o MQN ter renegado seu primeiro EP. Como disse uma vez o Jorge, a banda estava se desligando do rock inglês e indo bem pro lado americano da coisa. De qualquer forma, esse disco não consegue empolgar tanto quanto seus sucessores. Era a época das guitar bands...
ResponderExcluirE ainda bem que esse momento passou.
Bacana o texto, gostei das ironias, gosto também da "briga" desses gordinhos, apesar de discordar de algumas coisas pago pau pro trabalho dos dois.
ResponderExcluirAgora, cuidado com as afirmações de primeiros CDs goianos prensados. O CD do Mandatory Suicide só porque é split não conta? e falando de Beatles, lembrei do Bitkids, acho que são anteriores a esses aí hein?!! isso sem forçar a memória pra achar mais.
Boa sorte.
Israel.
Na verdade ontem mesmo o Rodolfo One Voice tava me lembrando que o Mandatory foi o primeiro, porém como era um split eu não considerei. Mas ele lembrou que antes do MQN saiu o CD do Santos Hereges, uma banda que também foi esquecida no limbo da história... Sendo assim o MQN foi o terceiro CD prensado.
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