terça-feira, 5 de janeiro de 2010

PARABÉNS KEMY!!!!!


  






Hoje nossa querida e estimada companheira de trabalho completa 19 aninhos! Kemy Senger está conosco há dois anos e já fez muita coisa pelo selo,divulgou eventos, organizou gigs, inclusive foi ela quem criou esse maldito blog! Sempre serelepe com sua voz de 8.000 decibéis costuma quebrar janelas e copos quando grita, mas isso é só um detalhe. Te Amamos Pirralhinha!!!! Feliz aniversário! (Na Foto Kemy e Fernanda) 

Resenha HQ´s - A Pior Banda do Mundo. Por Danilo Miranda



A Irrealidade Crônica

Não analisando apenas a obra, nem tampouco o autor, é de praxe tentar descrever o impacto da obra, ou apenas as sensações que ela pode te trazer, ou porque não dizer, uma boa dica de leitura fora dos padrões "Livrarias Contemporâneas".

Então vamos lá, vamos falar sobre a obra surreal, provinciana (ou não) de José Carlos Fernandes, um grande autor português que já teve diversas obras passeando no fanzine lisboeta intitulado Shock. Estamos falando da séries de HQ's, A Pior Banda do Mundo, uma série em seis volumes: O Quiosque da Utopia, de 2002; O Museu Nacional do Acessório e do Irrelevante, de 2003; As Ruínas de Babel, de 2003; A Grande Enciclopédia do Conhecimento Obsoleto, de 2004; O Depósito de Refugos Postais, de 2006; e Os Arquivos do Prodigioso e do Paranormal, de 2007.

Não vou falar dos seis volumes em si, mas sim de seus conteúdos interdependentes. Imagine aquelas pessoas que você sempre considerou deveras estranha, ou extremamente fora de si, pois então...
Elas são retratadas em seu estado mais puro de devaneios extra-psicológicos e pensamentos incomuns sobre coisas que passam (e passariam) despercebidas aos olhos de qualquer um que não pertence ao mundo ilógico (porém a busca da lógica é constante, mas não necessariamente correta).

A Pior Banda do Mundo, conta a história de um grupo de músicos de jazz, que ensaiam juntos há 29 anos e jamais conseguiram tocar uma única música sequer, apesar de suas músicas serem compostas e guardadas na mente de outra pessoa(s). Enquanto ao seu redor, histórias sem nexo cronológico ou sentido comum acontecem, pessoas que não existem discutindo sua existência, analises de invenções não inventadas e filosofias sobre o cotidiano que o jornal não divulga...

Tudo é um devaneio psicodélico em sépia, traços convincentes em suas enganações tentando a todo instante e todo quadro lhe convencer que qualquer absurdo que possa assim ser considerado no julgamento de quem lê, é absolutamente normal, apenas distante de sua vida cotidiana e comum. A beleza do surreal é tratada de forma ímpar, de uma forma que seria necessário esquecer qualquer equação ou questão de lógica que se aprende na escola,

Enfim, A Pior Banda do Mundo carrega em seus 6 volumes, surrealismo e crônicas implícitas em psicodelias cartunistas, tão perigoso e sério quanto Watchman, tão engraçado e simples quanto qualquer gibi da Mônica, tão inteligente e perspicaz quanto uma obra de Herman Hesse, e ao mesmo tempo, livre de qualquer comparação.

                                  Por Danilo Miranda

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Another Rise- Another Rise- EP (2009)




Another Rise é uma banda Deathmetal/Hardcore formada em Uberlândia, Minas Gerais, em agosto de 2008. Atualmente a banda é formada por Otávio - Vocal / sampler; Jonas -  Vocal; Bonatti - Guitarra; Argen - Guitarra; Crys - Baixo; Heillon - Bateria.Boa pedida pra quem curte som pesado moderno. Ai vai o link pra baixar:


TRACKLIST:

01-Malleus Maleficarum 

02-Influenza A 

03-This is a Serious Song 

04-Error 404, Server Not Found 

05-There’s No Space For a Coke 

06-Vulnera Non Dantur Ad Mensuram 

Seu Madruga Canta o Hino do Atlético - GO

DRAGAAAAAAAAAAAAAAAAAO!

http://www.youtube.com/watch?v=26Tf9pUSy8g

A PRODUÇÃO DE ARTE E O HARDCORE:Um breve esboço sobre a produção artística dentro da cena. Por André Lopes "Alemão"

Por que ler um texto comprido desses, se eu posso ir pra net baixar discos?

 

Boa pergunta, meu chapa, boa pergunta... Digamos que tem uma cena de hardcore, punk e metal por aqui que está pedindo socorro. Digamos também que já existe um debate sobre isso por aí, na internet, nas ruas, nas lojas de rock. Contribuir com isso é bom. Não é obrigatório, isso é lógico. Participar das discussões sobre a “cena”, perguntar se ela existe, se ela vai bem, se está tudo em ordem, se poderia ser melhor, apontando alguns rumos para esse papo, nos deixa com a sensação de estar cumprindo parte da tarefa. Tarefa esta que alguns se infligem. Mas, lotar 160 GB de discos e filmes é, de verdade, mais legal. E enquanto parte se dedica a esta atitude, temos um colapso no hardcore punk de Goiânia.

Até onde podemos ver este colapso como sendo resultado direto de fatores internos da dita “cena”? Como entender a produção de arte dentro do hardcore punk? Este entendimento realmente se transformará em ferramenta para atuar na cena de forma concreta?

Procuramos afastar qualquer pretensão acadêmica. Este texto está direcionado à todos os públicos envolvidos com a cena hardcore punk, de modo a não sublimar demais uma discussão que tem por obrigação ser clara e direta.

Com este trabalho, a provocação será feita para quem participa, de uma forma ou de outra, da produção artística hardcore punk na cidade.

Num primeiro momento, teremos alguns apontamentos históricos sobre o punk e hardcore, a fim de nos situarmos temporalmente, no item “O que é hardcore? Apontamentos históricos”. Nada muito detalhado, pois não é essa a finalidade. Depois, um breve debate sobre a arte, sua função social e o hardcore punk, tentando definir sobre quais aspectos podemos entender a produção artística dentro desta vertente do rock, no item “A produção de arte e o hardcore”. Há, logo após, em “Cena: o que seria isso?” um esboço de um breve conceito – o que ela pode ser na ótica do hardcore punk, sob o prisma da produção artística. As provocações principais estão apontadas no item seguinte, “Levantando aparentes problemas na cena punk hardcore”. Considerações finais sobre “Goiânia Rock City” figuram no último item do trabalho.

Esta contribuição pretende ser um pontapé inicial, e não guarda para si a pretensão de ser a voz da verdade. Qualquer discordância será bem vinda, seja feita por publicação física, por meio eletrônico, pessoalmente, enfim.

 

André Lopes “Alemão”.


O que é hardcore? Apontamentos históricos.

 

Há de fato uma cartilha do hardcore, um manual explicativo que nos diga como ser um “membro do movimento”? De maneira alguma. Não se pode relativizar demais uma possível definição sobre o que é hardcore, e não seria honesto ditar aqui um conceito rígido. Podemos identificar o surgimento do hardcore nos EUA, em 1980. A data é deveras controversa, e há citações também controversas sobre quem foi a banda pioneira do novo subgênero do punk: a canadense DOA, os estadunidenses do Black Flag, ou o Middle Class, enfim.

O termo surgiu na já multi-fragmentada cena punk norte americana, onde posições ideológicas diversas haviam surgido desde 1974, data símbolo do início do punk. Entre niilistas, punk rockers, anarcopunks, e dezenas de outras sub-classificações, o hardcore se diferenciava inicialmente por apresentar uma nova estética musical: o tempo (compasso) foi acelerado, a melodia se tornou ainda mais simples, em comparação com o punk rock, e a textura ficou mais áspera, agressiva. Liricamente, as primeiras bandas de hardcore preferiram adotar temas mais políticos e críticos, ligados ao cotidiano dos subúrbios das grandes cidades estadunidenses. Era uma espécie de resgate da cena punk setentista. Na Europa, talvez possamos ser um pouco mais certeiros ao indicar o início do que seria o hardcore: a banda britânica Discharge. Deveras mais agressiva do que qualquer outra coisa que já havia sido gravado no R.U., o Discharge mantinha a moda punk (ou visual, como preferem os punks), a acidez lírica e apresentava a rapidez musical que caracterizava o hardcore.

Nunca houve um manifesto hardcore universal. Ninguém nunca se preocupou em limitar uma definição e inaugurar um movimento de cunho social. O hardcore é espontâneo, nascido de um contexto onde a velocidade das transformações culturais já era enorme. Há gente por aí que chama esse momento histórico de pós-modernidade. Nomenclaturas à parte, o hardcore surgiu inicialmente como uma reação ao punk, que dava sinais de “decadência”, na opinião de muitos. Era necessário voltar a chocar, a questionar padrões culturais, evitar que a contra-cultura punk fosse completamente absorvida pela mídia de massa, como ocorria na época, e apontar rumos possíveis, já que o punk tradicional estava mergulhado numa maré de descrença e ceticismo. A partir de 1981 nos EUA e Europa, já notamos muitos artistas produtores de fanzines, bandas, programas de rádio, a abraçar causas mais positivas em relação ao posicionamento que o rock mais extremo deveria tomar frente aos problemas cotidianos. Neste aspecto, o punk e o hardcore começavam a se distanciar, de um modo geral. O discurso em defesa do caos social elaborado nos fins dos anos 70 (“There’s no future for you”) pelo punk era gradativamente abandonado a medida que o hardcore avançava. Um bom exemplo disso foi a primeira onda dita “straight edge”, que procurava trazer aspectos éticos (ou morais, na visão de outros) à cena musical punk hardcore estadunidense.

Não há uma obrigatoriedade de vinculação política, partidária, ideológica, dentro do punk e hardcore. Sendo uma manifestação de contra-cultura urbana, ambos são, antes de mais nada, uma estética dentro de um vasto universo de produção artística, sendo possível usar esta estética para fins diversos. Desde produção cultural de massa, para fins de mercado, até intervenções políticas de cunho crítico. Basta lembrarmos da enorme vontade demonstrada pelos Ramones de serem aceitos no mainstream, a partir de 1977, para termos exemplo de como a estética punk pode ser usada para vender cultura. Ou ainda, por outro lado, citarmos a resistência de diversas bandas européias e americanas que se mantiveram fiéis ao conceito básico do punk: faça você mesmo. Black Flag, Dead Kennedys, The Varukers e outras, provaram que era possível produzir arte sem vínculo a um mercado coercitivo, que pudesse modificar a essência da produção. A cultura punk hardcore está mais comumente ligada a esta atitude de negação dos padrões mercadológicos na produção de arte. Produzir arte transgressiva, livre, de forte cunho ideológico, embora multifacetado, ligada a um mercado específico que adote outro parâmetro, que não o lucro puro e simples. Numa dinâmica econômica em que a produção artística contra-hegemônica é transformada, cooptada e se adapta ao mercado, se transformando em mercadoria, como se via desde os anos 50, o grande nó do punk hardcore foi se manter a margem deste processo, e ao mesmo tempo, sobreviver como via de contestação. Ou seja, ter espaço para expressar os vários tipos de discurso dentro do “movimento”, em um mundo que não estava muito afim de ouvir o que a molecada suburbana estava gritando. Neste contexto, foi de suma importância o surgimento de gravadoras, fanzines, rádios, editoras independentes e que tais para a propagação da estética/ ideologia punk hardcore em fins dos anos 70. Surgia a principal marca da cultura punk: o “faça você mesmo”. Se parte do punk havia sido digerido pela sociedade do consumo, anos mais tarde, era hora de incentivar a produção que a grande mídia ignorava, por ter uma aparência muito repugnante para os padrões de mercado. Diga-se de passagem, propositadamente “repugnante”, por se tratar de produção cultural contra-hegemônica. Nasciam então os “cascas-grossas”, um novo gás para o punk.

Assim, apoiados por uma ampla rede alternativa de produção completamente independente, os produtores desta primeira leva assistiram a música punk hardcore se seccionar em dezenas de sub-gêneros, a partir dos anos 80. Fenômeno típico do período histórico. A fusão do hardcore punk com o heavy e thrash metal também ocorre nos anos 80, produzindo um fenômeno interessante: como as cenas destas vertentes do rock passavam por dificuldades bem semelhantes, nos EUA e na Europa, passaram a organizar a produção cultural de forma conjunta. Era o embrião do crossover. O resto é história.

 

A produção de arte e o hardcore.

 

Conceituar o que é arte é outro desafio que não vamos assumir aqui. Tampouco podemos considerar que tudo seja arte, como arriscaram alguns por aí. A arte é produto da leitura sobre a realidade humana, em seus diversos contextos, que se exprime de uma forma sublimada. Tem um porquê de existir. “Nascer a cada momento para a eterna novidade do mundo”, diria Fernando Pessoa, em uma das melhores definições que conheço sobre o tema.

A arte está no plano da construção das ideologias, sendo por isso importantíssima na composição dos blocos históricos hegemônicos e também de seus antagonistas. Em outras palavras, a arte serve também para dominar ou lutar contra a dominação, impor ou lutar contra a imposição. É óbvio que devido à complexidade da sociedade, nem sempre é possível determinar com clareza estas nuances, nem tampouco é sempre que a arte se apresenta nestas dicotomias.

A música e todas as outras expressões artísticas nunca se transformaram tanto como no século XX, principalmente na segunda metade deste intervalo. Deixando de lado possíveis debates sobre este tema, e focando no rock n’ roll, surgido nos anos 50, podemos dizer que a grande revolução presente nesta expressão artística talvez esteja no comportamento: foi o grito de “basta” de uma juventude que não agüentava mais tanta repressão de cunho moral, como aquela experimentada na sociedade estadunidense dos anos dourados. A contestação inicial do rock era comportamental. A politização da música rock ocorreu principalmente nos conturbados anos 60 – tempos de Guerra Fria. O rock se transformou em voz de adolescentes e jovens adultos que não queriam guerras. Embora muito menos embasado teoricamente que a geração beat dos anos 50, o rock sessentista deu seu recado. Nos anos 70, a piração no LSD produziu um rock vigoroso, técnico, mais pesado, e que aos poucos se desconectava da realidade. O resgate da atitude de contestação de todo um modelo social, usando a música, veio com o punk. Há uma dificuldade em classificar o punk como movimento, por não ter um manifesto e uma direção a rigor. Mas a nova estética passava a negar esquemas de produção e comercialização da arte, montados desde que o rock se firmou como voz da juventude – era o “do it yourself”, ou “faça você mesmo”, já mencionado. A produção de arte hardcore (música, fanzines, grafites e afins) nasceu dentro deste padrão, com o discurso de resgatar o que o punk havia perdido: a autonomia para se produzir. Mas, cá entre nós: podemos mesmo chamar a produção hardcore de “arte”? Desde o momento em que o artista plástico Marcel Duchamp, no início do século XX, subverteu por completo o conceito de arte, focando a atitude artística em quem a faz, e não no objeto em si, muita coisa cabe dentro do conceito de arte. Inclusive o hardcore. Mesmo para aqueles que chegam a afirmar que o punk e o hardcore criaram uma espécie de anti-arte, há uma contradição: ao questionar e subverter as estruturas básicas do que era considerado “correto” na música e na moda, o punk e o hardcore criaram seus próprios códigos e padrões. Portanto, sua própria estética.

Então, como encarar a produção de arte dentro do hardcore? Ora, 30 anos se passaram, e o mundo assistiu a uma verdadeira revolução no âmbito das comunicações, dentro de uma perspectiva mais perversa: a globalização. A mercantilização da arte avançou em uma velocidade muito maior nas últimas duas décadas, e com ela a banalização da mesma. A estética punk hardcore, inicialmente criada para resistir culturalmente a sociedade de consumo, foi absorvida por ela. O hardcore, como música e moda (roupas, acessórios), está na TV e na internet como produto de consumo rápido. Este é um efeito esperado dentro do modelo de sociedade que temos. E a grande contradição se apresenta. Trinta anos depois, queremos estar funcionando como engrenagem bem lubrificada do sistema sócio-econômico atual, ou ainda há críticas a serem feitas que possibilitem a sobrevivência do hardcore como cultura contra-hegemônica? Na sua essência, o hardcore nasceu na esteira da resistência ao padrão de produção de cultura de massa. A arte produzida, sobretudo a música, visava desafiar tais padrões.

Chegamos a um ponto crucial, no nosso entender: o referencial do que pode ser a arte, e que tipo dela o hardcore pode adotar. Mercadoria na prateleira? Arma do discurso contra-hegemônico? Atitude niilista, enclausuramento?

Interessante: pode ser tudo isso. O referencial de como se apropriar da arte não está na estética musical propriamente dita. Hoje, usa-se hardcore pra vender CD de telenovela juvenil. Está lá: batidas rápidas, num tempo de 1 e 2, vocais que não primam por técnica, melodias curtas e simples, e mensagens condizentes com o público alvo - meninos e meninas de 10 a 16 anos, aproximadamente. A música é linguagem universal. Não há donos do hardcore. O mercado hoje consome as inúmeras subclassificações do punk numa ótima. E quem consome este tipo de produto tem fins diferentes da proposta inicial destas estéticas musicais: querem consumir entretenimento. Um direito de qualquer pessoa. Deixemos claro que os primeiros punks também queriam se divertir. Mas, havia também o sentimento de querer questionar padrões de comportamento social. Talvez isso possa diferir aqueles tempos e o hoje. A negação da sociedade de consumo se transformou numa celebração à mesma.

Podemos considerar um outro referencial: usar a arte para difundir um discurso de resistência cultural, nas diversas formas que isso possa assumir. Política, ecologia, problemas cotidianos, repulsa a aspectos diversos da cultura hegemônica e mais uma gama intermináveis de discursos. E neste sentido, mais uma vez a estética musical pouco importa: não é necessário fazer música punk pra se criticar ações de Estado, por exemplo. O referencial de como se apropriar da produção artística, e antes disso, de como produzir arte, está em quem faz e em quem absorve a arte. Não é o punk hardcore em si que determina como irá ser a leitura da realidade, e sim a forma como esta estética foi utilizada na produção artística. Escrever um e-fanzine sobre problemas relacionados a “cena” alternativa, que produz contra-cultura à margem de incentivos oficiais, ou utilizar o mesmo veículo para postar a discografia do Fresno? Ambas as iniciativas são válidas, se há público cativo para tais. A intencionalidade é clara nos dois casos.

Se há o desejo de cooptação de mais adeptos para a causa primordial do hardcore – resistir à mercantilização da arte – é necessário que se compreenda que não há donos da música. Não é pela produção pura e simples de música, descolada dos aspectos ideológicos destas questões, que teremos hardcore punk. Outro ponto importante: é a atitude frente a produção de arte que vai definir a função que ela vai desempenhar na sociedade. Isto posto, podemos afirmar que só temos cultura de resistência se temos consciência e concordância com a negação do padrão de “arte-mercadoria”, de consumo de massa. Feita esta opção, que é crucial para avançarmos, o debate sobre os “nós” deste processo deve ser colocado de imediato.

 

Cena: o que seria isso?

 

Comumente, chamamos de “cena” o conjunto de manifestações, interações e relações culturais que envolvem, direta e indiretamente, pessoas ligadas à uma estética artística, seja ela musical, plástica, teatral, cinematográfica, etc. Em uma cena, há a fluência de idéias e a produção cultural é constante, mais ou menos intensa, de acordo com a conjuntura.

Se não temos esta troca de idéias, esse fluxo de conhecimento, a dita “cena” tende naturalmente à estagnação. A produção estaciona e não há a superação, a “eterna novidade do mundo” a que se referiu Fernando Pessoa, no excerto do item passado. Isso posto, a tendência ao tédio mina manifestações que poderiam ser interessantes. A arte só tem sentido de ser se for interpretada/ sentida, e se não há circulação de idéias, não há porque produzir arte. Tomemos como exemplo as artes plásticas: os “rabiscos” de Pablo Picasso no início do século XX são considerados geniais porque inauguraram uma nova forma de se perceber os objetos na tela, algo que ninguém havia pensado antes. Estava inaugurado o cubismo, com base em estudos e mais estudos feitos sobre as obras de percussores do estilo como Cézanne. Estas telas, apresentadas a um leigo de arte, serão apenas um monte de objetos disformes. Porém, ao absorver o significado da obra de Picasso, este mesmo leigo passará a compreender o valor da obra. Poderá não apreciar, mas jamais alegará ignorância sobre o propósito daquela arte.

Assim ocorre com a produção de arte dentro do punk hardcore. Não são apenas folhetos mal editados e diagramados carregados de gírias, são fanzines. Há um contexto que explique o porquê do formato. Não são apenas berros desconexos com guitarras sujas e compasso rápido. É hardcore. Há uma justificativa para se produzir este tipo de arte. Não são rabiscos ilegíveis coloridos no muro, é grafite. Para todas as manifestações artísticas que envolvem a cultura de resistência, há um motivo. E estes “motivos” devem ser pensados por quem absorve a arte. Se a “arte pela arte” toma de assalto as manifestações de resistência a indústria cultural, teremos aí um grande problema: o que servia para ser contra-hegemônico passa a ser somente uma peça desconexa da realidade.

Pensar a produção artística antes, durante e após absorvê-la, é fundamental para que ela continue a ser produzida. A experiência construída trará o saldo final desta absorção: positivo ou negativo. É a partir daí que se dá o crescimento intelectual, a transformação que a arte é capaz de fomentar. E se isso foi realmente positivo, a tendência natural é que se queira mais. É um ciclo, que se fecha com o envolvimento direto de quem produz e de quem absorve arte. Isso é tipicamente uma cena. Pensa-se e se faz a arte, que é absorvida, digerida, pensada, para se querer mais, ou para criticá-la negativamente.

Ver uma apresentação de punk hardcore é uma experiência fantástica, nas primeiras vezes. Não há tempo, dentro do pit, para pensar em arte. É algo que pode ficar pra depois. Mas com o passar delas, esvazia-se o sentido desta manifestação, se não raciocinamos porque elas ocorrem, por exemplo.

 

Levantando aparentes problemas na cena punk hardcore:

 

Se para haver uma “cena” é necessário envolvimento, e para termos resistência a cultura de massa e sua indústria, é necessário compreender de onde veio o punk hardcore, então não é nada difícil identificar alguns dos problemas estruturais da organização desta cena.

Entender o que é uma cena leva consequentemente ao envolvimento ou ao afastamento da mesma. À medida em que surge uma identificação, ou repulsa, com determinada produção artística, é de se esperar um envolvimento direto ou indireto com ela. No caso de identificação, a tomada de consciência como parte de um “movimento” ajuda a solidificar e propagar determinada forma de arte. Dentro da produção contra-hegemônica do hardcore punk isso é fundamental. Chamamos de militância a atitude de se envolver com a cena, no sentido de compreendê-la em sua complexidade.

Como já dissemos, não há arte para lugares onde não há pessoas. Logo, a militância dentro do hardcore punk é primordial. Defesa de causa compreendida. Não se produz arte fora do circuito oficial ou de massa sem militância comprometida. Esta militância comprometida advém de formação ideológica que sustente de forma clara a causa por que se luta. É necessário haver conhecimento de causa, diriam uns. Na outra mão, a produção de arte comprometida socialmente é a ferramenta que a “cena” dispõe para a cooptação de novos adeptos, à medida em que o discurso se propaga e se mostra dentro de uma lógica coerente. Neste aspecto, uma barreira tem se colocado atualmente: na sociedade pós-moderna, causas coletivas têm sido cada vez menos desenvolvidas, e isso trás um reflexo imediato na cena hardcore punk - o “faça você mesmo” tem sido confundido com o “faça o seu que eu faço o meu”. Não é o que NÓS podemos juntos, e sim o que VOCÊ pode sozinho, no conforto da sua casa. Este é um fenômeno típico da globalização, segundo Robert Kurtz. A individualidade apregoada como uma qualidade do novo humano pós-moderno põe em xeque o senso de coletividade, pois não se observa aí nenhuma possibilidade de ganho imediato. Dentre muitos outros fatores, podemos também pensar sobre o impacto da revolução tecnológica em manifestações ideológicas como o hardcore punk: as pessoas lêem cada vez com menos qualidade. Somente textos rápidos, pouco informativos, sumários. Muita quantidade, com horas a fio de internet e games, que não deixam de ser leitura, e pouca qualidade, com quase nenhum livro, jornal ou revista. Destruição conseqüente do senso crítico, tão necessário para alimentar uma resistência salutar à cultura de massa. Em suma: cena completamente despolitizada.

Não entenda aqui política como ação partidária ou institucional de Estado. Qualquer relação de poder entre humanos é política, nos informa o genial Bobbio. Luta melhor quem tem a principal arma de construção de hegemonia: conhecimento. Em uma cena onde se identifica o gradativo descrédito das causas comuns, e a apolitização crescente de seus membros, não é de se estranhar o atual colapso. Ao contrário, é de se supô-lo. Só há coesão, união, quando há identificação das mesmas causas entre o grupo em questão. O hardcore visto somente como uma “revolução pessoal” pode ser entendido como atitude de afastamento da coletividade. Isso seria desastroso e fatal.

Quanto à apolitização, ela é mais perigosa quando a questão do referencial de como se apropriar da arte volta à baila: a compreensão do hardcore punk como ferramenta contra-hegemônica simplesmente não existe, neste caso de apolitização, o que acarreta em contradições patentes. É querer produzir arte marginal e ao mesmo tempo, almejar uma adaptação desta produção ao mercado de massa, adaptação essa que não ocorre porque o discurso ou mesmo a estética são muito rudes para os padrões da indústria cultural. O foco se volta para o mercado de arte produzida em série, o que se mostra um enorme erro estratégico. Ao abraçar a arte pela arte dentro do hardcore punk, joga-se no lixo o principal ganho conceitual desta estética.

A circulação de idéias novas é primordial para a sobrevivência da cena hardcore punk. Não somente resenhas, releases ou links com música para baixar. A circulação de idéias promove a formulação de novos conceitos, que serão úteis para repensarmos a própria cena. O posicionamento ideológico deve ser peça-chave na resistência da cultura alternativa. “Eu não sei o que quero. Eu sei o que NÃO quero”.

 

 

Goiânia Rock City?

 

Nenhum termo é mais estranho à realidade aparente do que este, no campo da cultura: Goiânia Rock City. Sabemos por “experiência de campo” que no caso específico da cidade de Goiânia, a cena rock é sem dúvida uma das menores, do ponto de vista de seu impacto social. Termo surgido no espaço virtual “interneteiro”, foi amplamente divulgado e adotado pelo público que se identifica com o rock e suas manifestações na capital goiana. Mas não há verdade nele.

Há diversas micro-cenas de rock em Goiânia. Isso não significa que são exatamente antagônicas. Ao contrário, há intersecções entre elas por motivos óbvios: um público eclético que freqüenta diferentes ambientes dentro da cena rock, produtores que concorrem pelos mesmos espaços e empresas de equipamento, algumas poucas causas ideológicas em comum, etc.

Dentre estas micro-cenas, a grande maioria delas trabalha com produção de arte voltada para um mercado de consumo rápido, visando a inserção das cenas goianas em um universo mais amplo, de escala nacional, e por que não, internacional. Há produtoras goianas respeitáveis dentro do universo chamado “independente”, que vem sendo o novo filão da indústria de entretenimento ligado à música. Televisão e internet voltaram-se de forma sedenta para a produção artística das cenas desvinculadas das grandes gravadoras. Neste contexto, produtores de arte, especialmente música, tem se engajado com esmero na busca por espaço dentro desta lógica, buscando sustentar o “rock” como um negócio que seja rentável e gere renda.

Num outro prisma, há também micro-cenas. Procuram resistir à absorção do rock pela indústria cultural, para manter a produção artística livre. Por se observar um caráter ideológico mais crítico à lógica de mercantilização da arte, foram chamados até aqui de contra-hegemônicos. E o são. Razões óbvias limitam a circulação da produção deste tipo de referencial artístico: falamos sobre o recrudescimento do senso crítico no que se refere a função social da arte, provocado diretamente pela conjuntura histórica.

Diante destes aspectos, a cena rock em Goiânia pode ser classificada como fragmentada e desconexa. Os pontos de incongruência são maiores que os pontos em comum, por razões aparentes. E não se espera a famigerada “união” dentro da mesma: pontos de vista tão diferentes historicamente tendem a se afastar.

Pensarmos em como as diversas micro-cenas podem coexistir sem se prejudicar é um avanço necessário. A construção de uma agenda conjunta fica aqui como uma pequena sugestão para o crescimento e fortalecimento da produção artística punk hardcore.

Qualquer tipo de sectarismo extremo é desastroso, e aqui evocamos a história, como ciência, para embasar esta verdade. Mas pensarmos uma cena punk hardcore como independente do universo rock restante é questão estratégica de sobrevivência. Não independente no sentido de “isolacionismo”, mas sim no sentido de criar uma base mais ampla de militância, e condições materiais para que a produção artística possa acontecer. Construir conjuntamente o espaço necessário para que a arte punk hardcore possa sobreviver. Pensar em vincular esta estética com o poder público seria decretar a morte dos códigos de valores inerentes à elas. Por isso é necessário a identificação, compreensão e adesão a causa, que só ocorre após a escolha sóbria, consciente desta via.

Há uma “Goiânia Rocks City”. Um caldeirão de diversidade. E isso é bom. Mas batalhar uma estrutura que seja capaz de manter o hardcore punk funcionando nesta cidade é tarefa que já não pode mais esperar. Mantê-lo dentro desta diversidade é importante demais para todos. O diálogo sobre o que a arte pode ser não pode ficar a mercê de apenas uma opinião - a pluralidade que há, com a presença de diversas tendências dentro do rock, enriquece e amplia o debate. Repensar os “nós” da cena hardcore punk seria o primeiro passo para revigorá-la. Esta pequena contribuição apareceu por esta causa. Estão abertos os debates.

 

Referências bibliográficas:

Livros:

ADORNO, Theodor W. Textos Escolhidos. Coleção Os Pensadores, São Paulo, Ed. Nova Cultural, 1999.

ALTET, Xavier B. I. História da arte. São Paulo, Ed. Papirus, 1990.

BIVAR, Antônio. O que é punk. Coleção Primeiros Passos, São Paulo, Ed. Brasiliense. 1982.

BOBBIO, Norberto. Dicionário de Política. Brasília, Ed. UNB, 1983.

CHAUI, Marilena. Filosofia. São Paulo, Ed. Ática, 2007.

KURTZ, Robert.O colapso da modernização. São Paulo, Ed. Paz e Terra, 1992.

MÉSZÁROS, István. O século XXI: Socialismo ou barbárie? São Paulo, Ed. Boitempo, 2003.

OSTROWER, Fayga. Universo da arte. Rio de Janeiro, Ed. Campus, 1991.

SENNETT, Richard. A corrosão do caráter. Rio de Janeiro, Ed. Record, 1999.

 

Sítios eletrônicos e respectivos artigos consultados:

Adorno e a indústria cultural, in http://www.urutagua.uem.br//04fil_silva.htm, por Daniel Ribeiro da Silva. Consultado em 25/06/2009.

Antônio Gramsci e a subida ao sótão da filosofia da práxis. In http://www.historia.uff.br/nec/textos/text12.pdf. por Marco Mondaini. Consultado em 03/07/2009.

Cotidiano e arte em Lukács, in www.scielo.br, por Celso Frederico. Consultado em 01/07/2009.

Hardcore punk, in www.wikipedia.org. Consultado em 12/07/2009.

 

Revistas e respectivos artigos consultados:

COSTA, Sílvio. Classes, intelectuais, partido e hegemonia: uma leitura preliminar em Gramsci. In “Revista Estudos da UCG”, v. 23, p. 21 a 44, Goiânia, Ed. UCG, 1996.

VIANA, Nildo Silva. Sociedade Global: ficção ou realidade? In “Revista Teoria e Práxis”, nº 6, p. 10 a 17, Goiânia, publicação independente, 1995.

 

  • André Lopes "Alemão" é professor de História e baixista da banda Ímpeto.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

domingo, 3 de janeiro de 2010

Frank Zappa and the Mothers of Invention- Entrevista com Zappa, Revista Bizz (1986)

                                         




"Qual a parte mais feia do seu corpo? Alguns dizem que é seu nariz , outros dizem que são seus dedos dos pés. Mas eu acho que é sua mente."

    
      Frank Zappa (1940-1993) foi um dos maiores músicos do século XX, isso é incontestável.  Frank Zappa foi um dos maiores ícones da história do Rock, isso é incontestável também. O porque dessas afirmações se deve logicamente a vários fatores, mas principalmente por dois: a inventividade e o sarcasmo. Desde 1966 quando lançou o álbum Freak Out, Frank e sua primeira banda o Mothers of Invention ajudaram a definir o que seria chamado posteriormente de rock underground. Não interessa se você acha o som dele uma merda e curte Metal Extremo e/ou Hardcore, a semente subversiva que acompanha esses estilos mais extremos foi plantada ali. 

    Utilizando-se da mistura de Jazz, música erudita, música dodecafônica, Rock psicodélico e muito sarcasmo, acidez e deboche o Mothers of Invention foi um tiro na cara dos hippies
 e da contracultura tão em voga naquela época. O álbum de 1968 We´re Only In It For The Money (foto ao lado) é um clássico da época, não só por suas músicas se assemelharem a jingles de comerciais de rádio e TV, não só pela arte do álbum esculachar os intocáveis e supremos Beatles e seu louvado Sgt. Peppers, chamando eles de vendidos e substituindo a capa glamourosa do album do quarteto de Liverpool por um bando de freaks; mas principalmente pelo conteúdo das letras que criticavam cinicamente todo o movimentos hippie e, claro, as autoridades que combatiam esse movimento. Com um ponto de vista iconoclasta, Zappa aponta seus disparos para a alienação dos hippies, os preconceitos de uma sociedade conservadora no meio de uma onda de liberdade, paz e amor, e a brutalidade dessa sociedade conservadora em reprimir os ideais libertários da época. Tomando o ponto de vista de um observador Zappa ajudou a construir um tipo de atitude que o mundo dez anos depois chamaria de Punk. Duvida? Num dos shows de divulgação desse álbum em 1969 um dos membros do Mothers se vestiu de freira e saiu distribuindo ao público presente pílulas anti-concepcionais e camisinhas. Se a igreja católica não vê isso com bons olhos até hoje, imagina naquela época! Precisa dizer mais alguma coisa?

 


Em 1970 o Mothers of Invention se desfez, e Zappa continuou a lançar discos. Foram mais de 200 até sua morte em 1993, vítima de câncer 
na próstata. Na década de 1980 Zappa encabeçou um movimento de artistas contra a PMRC (Parents Musical Resource Center, em português Centro de Recurso Musical dos Pais). A PMRC era uma associação criada por Tipper Gore, esposa do então senador e futuro vice-presidente dos EUA Al Gore. A PMRC procurava "educar" e "alertar" os pais sobre os perigos da música jovem, mais precisamente o Rock, perigos estes que poderiam alterar o "bom comportamento"
de seus filhos. Gore acusava bandas de Rock de promoverem através de suas letras a violência, a promiscuidade, a subversão, o consumo de drogas e o suicídio. Vários artistas tiveram dor de cabeça com a PMRC, que procurou instituir a censura e processos criminais contra a obra de vários artistas, dentre eles Twisted Sister, Ozzy Osbourne e o Dead Kennedys, só pra citar alguns poucos. Em 1985 a PMRC instituiu a lista das 15 canções mais asquerosas dos EUA e convocou alguns artistas a depor sobre suas letras. Zappa foi voluntariamente ao congresso americano falar em favor dos artistas e da liberdade de expressão e opinião.




USA- As pessoas dizem que você é um gênio musical. Mas o Mothers of Invention tem muito de underground. Como é que você nunca chegou a ser grande sucesso comercial?

Zappa- Olha: se uma pessoa é um gênio musical, isto não significa que este gênio tenha de ser manifestado através de enormes vendas. Não acho que haja muita coisa dentro do espectro das enormes vendas que possa ser considerada genial, e o fato de eu ser um gênio ou não é irrelevante. Sou uma pessoa que tem uma pequena gravadora e uma audiência muito sólida de umas poucas pessoas que realmente gostam do que faço. Eu trabalho para eles e para mim mesmo.

USA- Você é conhecido por suas letras intelectuais- ou escatológicas, se preferir.

Zappa- Há uma diferença. Em primeiro lugar, não há nada de errado com a escatologia. Isto existe na literatura há muito tempo. Se você fala sobre algo que se refere a funções do corpo...

USA- Você faz isto de montão.

Zappa- Há uma razão para isto, porque a língua inglesa é uma grande peça para articulações. Você pode dizer as coisas de forma muito direta. Se você falar sobre um detrito fecal, pode usar isto como metáfora para uma porção de coisas, compreensível para uma pessoa marginalmente letrada. É com esta audiência que você fala. Você não vai querer falar com elas na linguagem de Eurípedes.

USA- Como é ser um homem de meia idade e um músico de rock?

Zappa- Não me importo de ter esta idade. Não me importo de ser feio. Não me importo de estar ficando careca atrás da cabeça. Não me importo de ter problemas com meu corpo. Não me importo com essas coisas. Me importo com música. Se eu fosse um músico de rock do mesmo nível que as pessoas normalmente associam a um musico assim- tipo roupas de couro com uma pulseira de tachinhas e todo essa aparato estranho- aí estaria sendo incongruente. Mas eu não sou.

USA- Então, o que você é?

Zappa-  Eu calho de ser um compositor que utiliza o rock como meio. Comecei escrevendo música para orquestra e música de câmara. Não escrevi música de rock até os 20 anos de idade. E comecei quando tinha 14.

USA- Você acha que Madonna ou Prince têm letras particularmente interessantes?

Zappa- Não sou um consumidor desse tipo de música. Sei que as letras que escrevo são importantes para as pessoas que consomem o que faço. Mas não acho que esta seja a mesma audiência de Prince ou Madonna. A música deles é feita para dançar, para posar quando você estiver usando uma roupa especial, ou para servir como papel de parede para um estilo de vida. Mas não é nada para filosofar em cima. Com muita sorte, até rima.

USA- O que você estava tentando dizer quando compôs "Valley Girl" (uma música que influenciou muito a linguagem e o comportamento das adolescentes da c0sta oeste americana)? Era uma coisa meio debochada sobre as garotas da Califórnia. Sua filha, Moon Unit, era assim?

Zappa-  Oh não! Eu escrevi a música porque era o que estava acontecendo por lá naquela época. Você é a primeira pessoa que me diz que ela é debochada. Todo o resto achou: " Pô, que legal. Eu vou agir assim". E isto pode lhe dar uma idéia da compreensão intelectual do público médio. Quer dizer: é debochada. Diz que estas pessoas têm a cabeça oca. Estes são seus valores. É o jeito que eles falam. E é uma letra jornalística.

USA- E como é ter uma filha que ia para a escola com essa gente?

Zappa- Onde é que ela iria à escola? Em Vênus? Eu quero que todos os meus filhos descubram o que é o mundo real. Eles estiveram em escolas públicas e privadas. E agora os dois mais velhos estão fora da escola. Moon terminou o colegial e caiu fora. Dweezil está fazendo a mesma coisa.

USA- Quer dizer que você tem filhos muito por dentro?

Zappa- Eu diria que sim.

USA- Então não é uma família careta?

Zappa- Não, e não há razão para ser, já que estou convencido de que esta não é a maneira certa de educar uma criança.

USA- As pessoas evitam sua família por você ter uma reputação demoníaca?

Zappa- Se eu tenho esta reputação é porque as pessoas na imprensa queriam que eu fosse deste jeito pra servir a seus propósitos. Na verdade, eu sou muito mais conservador que outros pais. Não uso drogas. Minha mulher também não. Me preocupo muito mais com meus filhos irem à casa dos outros do que eles deveriam se preocupar em mandar seus filhos à minha.

USA- Porque você deu a seus filhos nomes estranhos ( Moon Unit, Dweezil,Ahmet e Diva Thin Muffin)?

Zappa- Thin Muffin não. Isto ela inventou, o nome é Diva.

USA- E os outros nomes?

Zappa- Não interessa que nomes eles tenham, o que vai dar problema é o sobrenome. E, de qualquer maneira, o que há num nome? Sei que estas crianças vão crescer e ser especiais e individuais. Não acho que um nome especial e individual seja um crédito.

USA- Olhando pra trás, você não preferia que sua filha Moon Unit se chamasse Jennifer, ou algo assim?

Zappa- Durante um tempo, ela quis mudar seu nome para Beauty Heart e Ahmet para Ric. Mas isto durou umas três semanas.

USA- Ao falar recentemente para o Congresso, você se opôs a um projeto de lei que colocaria faixas de censura nas capas dos discos para que os pais soubessem o que suas crianças estavam ouvindo. Você não quer saber o que Moon e Dweezil estão ouvindo?

Zappa- Se os pais fizeram seu trabalho de dar aos filhos uma informação sexual adequada, eles vão saber que quando o Judas Priest fala de sadomasoquismo, trata-se de uma aberração, e que isto não vai ter qualquer efeito. As pessoas que querem fazer uma comissão para tirar a educação sexual dos lares são loucas. O governo não consegue controlar nem o orçamento. Como é que vai tomar conta de seus filhos?

USA- Você acha que seus fãs são mais intelectuais que a maioria?

Zappa- Nossa demografia não mostra isso. Se você for a um de nossos concertos e olhar para a garotada no público, não acho que vai ter por um microssegundo a idéia de que se trata de um grupo intelectual e introspectivo.

USA- O que mais falta conquistar? Você é um rebelde sem causa?

Zappa- Dificilmente, porque minha causa é a música. Estou interessado no que pode ser feito com tipos diferentes de expressão musical- sem qualquer interferência. Isto é muito difícil de fazer nos Estados Unidos; a menos que você venda, não dá para continuar fazendo.

USA- Você teve um vídeo que nunca foi ao ar.

Zappa- Entrou no ar em poucos lugares. Há duas razões para não ter sido exibido. A primeira é porque tinha a palavra nigger (expressão pejorativa para negro) e porque conseguimos uma sósia do presidente Reagan e o colocamos numa cadeira elétrica.

USA- Os radicais dos anos 60 estão agora na grande corrente. Jerry Rubin tem pequenas casas de música em N.Y. . Tom Hayden é um deputado na Califórnia. Sam Brown trabalha na área imobliária. Incomoda a você o fato de sua geração ter sido transformada numa caricatura? Interessa a década de 60?

Zappa- Eu acho que os 60 foram vendidos em excesso durante os 60. A nostalgia com os 60 dá pena por causa de todas as marchas pela paz e aquelas coisas- e não estamos falando aqui de um compromisso moral. Estamos falando de um acontecimento social. É onde você ia para transar nos anos 60. Você podia acabar transando com uma garota vestindo um cobertor fedido, que não tomava banho há duas semanas, mas é isto que acontecia então.

USA- Você vê alguma semelhança entre Live Aid, Farm Aid e USA for Africa?

Zappa- Não, absolutamente. A única coisa que eles têm em comum é dinheiro.

USA- Muitas pessoas conhecem você melhor por causa do seu poster da privada.

Zappa- Não há nada de obsceno com a foto. Não há partes excitantes do corpo à mostra. E é uma foto estúpida- um cara de cabelo comprido sentado na privada com as calças abaixadas.

USA- Você se arrepende dela?

Zappa- Não.

USA- E faria de novo?

Zappa- Não. O que me incomoda é que o poster é provavelmente um dos mais vendidos de todos os tempos. Se alguém quiser uma foto minha sentado numa privada, eu adoraria ser pago para fazê-la.


Baixe Freak Out:


Baixe We´re Only in it for the Money:




sábado, 2 de janeiro de 2010

FMI - Antagonismos (2009)




O FMI é uma banda de crossover formada em 1999 em Uberlândia/MG.  O EP Antagonismos foi lançado pela própria banda no começo de 2009. comemorando seus dez anos de existência e traz 6 sons rápidos numa pegada HC, flertando com Thrash e Death Metal, com direito a vocais guturais e coros característicos do metal extremo. As letras abordam o caos social cotidiano e misérias existenciais. Confira ai!




sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

1º Enero 1994




    Há exatos 16 anos surgia o mais bem organizado, bem sucedido e duradouro movimento de resistência ao capitalismo que se tem notícia: O EZLN (Ejército Zapatista de Liberación Nacional). Formado por trabalhadores rurais de origem indígena e tendo como figura central o sub-comandante Marcos (foto ao lado) o EZLN atua em Chiapas um dos estados mais pobres do México. "O EZLN visa a combater as opressões sofridas pelos povos
 indígenas no México, e, mais que um grupo guerrilheiro, se auto-define como um
 movimento organizado em comunidades cuja organização política seria baseada na "democracia direta". (wikipedia)
 
              Em primeiro de janeiro de 1994, mesmo dia 
que entraria em vigor o NAFTA (tratado de livre comércio da América do Norte); que traria muitos benefícios aos EUA por ser um país rico, e, por outro
 lado, o empobrecimento e a perda da cultura dos nativos Mexicanos que estariam submetidos a taxação de seus produtos e a receber menos por seu trabalho, os zapatistas tomaram o poder de algumas centrais municipais do Estado de Chiapas, tomando o governo do PRI, que estava se preparando para a entrada em vigor do NAFTA, desprevinido. O PRI (Partido Revolucionário Institucuional) se manteve no poder no México por mais de 70 anos e s
ua repressão contra os
 movimentos camponeses foi severa, causando a revolta dos mesmos em várias ocasiões, sempre sendo brutalmente impedidos de reivindicarem seus direitos.

     O nome Zapatista é uma homenagem a Emiliano Zapata, herói camponês da Revolução Mexicana da década de 1910. A formação do EZLN remete a meados da década de 60, oriundo da Fuerzas de Liberación Nacional (FLN), organização armada de resistência ao regime a a opressão do PRI. Em 2006 o sub-comandante Marcos declarou sobre a origem do Exército: "Em Monterrey, Novo León, faz mais de 37 anos, um pequeno grupo de pessoas nasceram o que chamaram Forças da Libertação Nacional. Desde sua origem adotaram uma ética de luta que depois herdamos aqueles que somos parte do Exército Zapatista de Libertação Nacional."  (wikipedia)
    O EZLN tráz três princípios básicos para s
ua luta:
           " - A defesa de direitos coletivos e individuais negados aos povos indígenas mexicanos.

             - A construção de um novo modelo de nação que inclua a democracia, a liberdade e a justiça como princípios fundamentais de una nova forma de fazer política. Obs: O EZLN entende que (mesmo no atual governo democrático) as
 categorias de base, os camponeses, muitos de origem ameríndia, ainda não usufruem da liberdade e justiça que a democracia deveria fortalecer. O movimento tem uma orientação marxista e entende conceitos como democracia e liberdade de forma diferente da do atual governo mexicano.
             - O tecido de uma rede de resistências e rebeliões no mundo todo em nome da humanidade e contra o neoliberalismo." (wikipedia)
 
      Desde então com muita luta e ajuda de simpatizante
s ao redor do mundo o EZLN se mostra como uma alternativa à opressão e à miséria provindas dos Estados neoliberais e das corporações multinacionais.

               Para maiores informações sobre a atuação do EZLN visite o sit


              E assista ao documentário "Zapatista : O inconformismo de um povo" (EUA, 1999). Produzido pelo grupo Big Noise Productions o documentário c
onta a história do movimento trazendo depoimentos de estudiosos sobre o assunto (cientistas políticos, sociólogos e antropólogos) e de ativistas de esquerda.
              Ai vai o link da primeira parte deste documentário no you tube. Ele é dividido em 6 partes e dura aproximadamente uma hora. Vale a pena




 

Neurose Urbana- Vivendo, Sofrendo e Morrendo (2000)



  Dando início ao resgate de bandas clássicas do rock goiano disponibilizamos esse 7" EP do Neurose Urbana, uma das mais importantes bandas de d-beat/raw punk surgidas em Goiânia na década de 90, juntamente com o Desastre. Se não me engano o Neurose durou até 2003 e manteve na sua formação por dez anos Glauco Mingau (hoje no Death From Above)  na guitarra e Ratão na batera. Esse 7" foi lançado em 2000 por um selo finlandês de propriedade de Otto do Força Macabra. O link e a arte foram roubados do blog http://metalattitudesucks.blogspot.com , dos U$A especializado em disponibilizar material punk em vinil dos anos 90 pra cá para download.

TRACKLIST:
1. Rotina Em Alerta
2. Declinio De Corpos
3. Luxuria Para Os Famintos
4. Destrua
5. Eu Nao Preciso Ser Como Voce
6. O Que Passa Nessas Mentes?


1 de janeiro de 2010. O Início.

1º de janeiro de 2010.

  Virada do ano, confraternização universal. Ao redor do mundo pessoas comemoram a passagem de mais um ano seguindo uma tradição milenar. O mundo parece estar tomado por um sentimento de união e renovação. As pessoas expressam seus sentimentos de paz, amor e esperança.... parece que o mundo inteiro se torna um só e esquece por uma noite do caos que atormenta a vida de cada ser humano. Todos esquecem que todos tem problemas, os mais variados tipos deles. Angústias, misérias, tormentos... É noite de festa...É noite de celebração.

  Fogos de artifício, música,gritos,euforia e dança. Por uma noite toda a humanidade esquece da escravidão a que é submetida e dá voz a seus instintos mais primais, naturais; estes que foram ceifados pela dura rotina do trabalho, pela dura existência marcada para e pelo consumo. E como se consome na virada do ano.... E o quanto se consome nos outros dias do ano? E o quanto se é consumido? Já parou pra pensar em alguma utilidade para qualquer coisa a não ser para o consumo? E o que se tem a dizer sobre isso?

   Tudo seria lindo se a vida fosse uma eterna noite de virada do ano, porém o lindo logo se transformaria em tedioso e então poderáimos entender a necessidade temos de que sempre haja a existência de conflitos. São os conflitos que movem a humanidade. É através do conflito que a mente humana se vê pressionada a criar; pois esta se vê encurralada e ao procurar uma saída para uma possível solução, e, ao procurar esta solução para seus conflitos; sejam eles internos, externos; pacíficos ou violentos, é que a humanidade pode demonstrar todo o brilho que a diferencia dos outros animais.

    O dia a dia nos cerca de conflitos, mas o que geralmente se faz a respeito destes conflitos? Pessoas se trancam em algum lugar seguro à procura de fuga, de estabilidade, de conforto.  A modernidade nos fez fracos demais para podermos encarar e enfrentar esses conflitos; e assim nos tornamos fracos, conformados,apagados e vítimas da própria busca pela fuga, pela estabilidade e pelo conforto. Então o homem lentamente vai se esquecendo de sua humanidade para se tornar um animal enjaulado, enclausurado; porém feliz e com todas suas necessidades satisfeitas, necessidades que vem a ser trabalhar para consumir e consumir para trabalhar, este homem se diz realizado. E esse é o caminho mais fácil para a felicidade: trocar sua liberdade de pensar e agir por si mesmo e dar vazão a tudo aquilo que faz o homem ser um ser dotado de racionalidade por conforto, novela, televisão, missa e praia.

    Porém, e felizmente, alguns de nós e alguma forma ou de outra acreditam que a vida é bem mais que a troca de liberdade por conforto. Alguns preferem ser livres vivendo no desconforto. Alguns preferem encarar o conflito, e, mesmo sabendo que este é maior e mais forte do que sua própria ação individual, opta por jogar pro alto a fórmula da felicidade fácil e ilusória, opta por questionar, opta por tentar mudar, opta por tentar alertar e acordar as outras pessoas de que a vida que elas levam pode ser ótima, mas carece de emoção, carece de um sentindo maior. Surge um ímpeto em resistir,  um ímpeto de criar, um ímpeto de retratar a realidade que se vive, e a isso denominamos arte.

   Não tem nada a ver com fama, sucesso, respeito nem nada relacionado com o consumo imediato. A arte é a expressão de sentimentos e impressões, é algo muito mais sublime e único do que o simples ato de consumir e logo depois jogar fora. A arte foi feita para durar, para ir além de seu tempo e mostrar para os homens que virão  o que se sentia e se pensava naquele específico momento e que agora não pertence mais a quem criou e sim ao mundo, a humanidade em geral. A arte foi feita para que a humanidade possa se expressar seja com alegria, seja de algo que choque ou incomode. O que interessa pra arte é a expressão de algum sentimento de alguma forma com ou sem algum sentido. 

    Porém, a arte com o passar do tempo se tornou tão cômoda e segura quanto os seres humanos,que a criaram e, os mesmos que trocaram sua liberdade pela segurança. A arte então se tornou um simples objeto de consumo. E o artista ao invés de buscar se expressar, busca prazeres que possam ser consumidos. É aí que entra a indústria da arte. É ai que a arte se torna pura e simplesmente comércio. E passa a ser comprada e vendida, e passa a ser do público consumidor e não mais do artista. O artista tem que agradar o consumidor e ao invés de buscar se superar em sua própria arte, este busca a satisfação de outras pessoas, que o farão satisfeito também pois lhe darão fama, sucesso e respeito.

  Mas, aqueles seres humanos que procuram algo além de consumir e ser consumido, insistem em dizer não a isso tudo e fazer diferente, e buscar um sentido diferente pras coisas e a arte nao é comprada nem vendida. Ela é compartilhada. Dada de graça ao mundo sem pedir nada em troca a não ser que se produza mais arte, que se livre das amarras impostas pelo consumo e pelo conforto e se busque algo além disso tudo. 

   Logo, quem conseguiu chegar até aqui entendeu que a função de um blog é compartilhar essa arte, é entender que o ser humano precisa se expressar e que essa expressão não é dele somente, pertence a toda humanidade, pois na expressão de cada um se forma o todo. Milhares de blogs existem por ai que compartilham música, é só entrar, baixar e pronto. Fácil.

   Quando a gente pensou em fazer esse blog, não pensamos somente em música pra baixar e ser rapidamente consumida e apagada. Pensamos primeiro em um lugar para que a expressao artística das bandas do selo pudesse ser eternizada. Ou seja, daqui anos alguém pode entrar aqui, ler esse texto e ouvir essas músicas. Talvez nem eu nem as pessoas que as fizeram estejam vivas. Então nossa expressão em um determinado momento e lugar está a disponibilidade para que todos possam compartilhar de nossos sentimentos de alegria, dúvida, certeza, revolta, amor,ódio.... E assim podermos perpetuar nossa existência através daquilo que fizemos enquanto estivemos vivos.

    Depois disso, pensamos em nos expressar. Dar vazão a nossos sentimentos das mais variadas formas, seja música, seja texto, seja poesia, seja animação, quadrinho,charge, filme.... Um local para que as pessoas possam se expressar sem medo, sem opressão sobre aqueles conflitos que as incomodam. E por último pensamos em interagir com o meio em que vivemos e que este possa se tornar um canal de expressão desta interação.

    Então esse não é somente um blog de um selo de música independente, não é um adicional para a divulgação do selo, para que possa vender mais discos. Não, esse blog é muito mais que isso. Aqui você poderá ler textos sobre a cena independente e a cena underground, entrevistas com personalidades importantes para a formação destas cenas, baixar discos das bandas lançadas pela TBonTB e que não estão mais em catálogo. Pode saber mais sobre essas bandas, sobre o que cada uma delas pensa e como cada uma delas age. Vai poder conhecer bandas antigas que foram fadadas ao esquecimento e bandas novas que acabam de surgir. 

    E, o mais importante: VOCÊ poderá agir e interagir e fazer parte dessa história, enviando textos, comentários, a música da sua banda. Pode enviar tudo pra gente que a gente publica aqui, sem medo, sem favoritismo, sem censura ( nazi punks fuck off! E que fique bem avisado!)  Nosso e-mail é tbontbrec@gmail.com, se tiver algo interessante a dizer por favor, tenha toda a liberdade de se expressar! Pode vir sem medo, o espaçao também é de você que aguentou esse texto chato até aqui. Então por favor PONHA A MÃO NA MASSA E FAÇA A DIFERENÇA!!!!




A todos vocês, lutadores pela liberdade.....


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